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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Jardim

Se quiser enfrentar este velho mundo, olhe suavemente 
e simplesmente como as crianças.

Queria ser pequenininha
como uma borboleta 
ou uma fadinha
e voar naquele jardim.
Subir na casa da árvore e brincar de boneca 
numa tarde de sol laranja
tomar suco de laranja  com biscoitos
Queria viver num jardim de mil cores
onde o sol de mansinho
vem brilhar nas flores.
Queria viver um dia
no mundo da menininha 
que desenhou esse jardim ai em cima.
Um mundo leve e doce
assim como é a criança
que enxerga melhor
a cor da primavera,
que sabe ou inventa
o que o passarinho faz na janela,
que vê os mínimos detalhes agachada
o trabalho paciente do formigueiro
e faz do sapo o senhor jardineiro.
Ah, como eu queria ter o mesmo coração de uma menininha,
Ah, como eu queria...

           

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Infância

Mas o que pensa a menina
quando cola o ouvido na conchinha?
Que lá dentro
bem pequenininho
cabe o mar inteirinho

Mas o que pensa a menina
quando assiste a televisão?
Que todo mundo cabe lá dentro
e que tem um monte de gente minúscula
todos moram lá dentro.
Mas como  é elástica a televisão!

Ela tem um sonho...
Tocar o arco íris com sua mãozinha
mas ela não alcança lá em cima
vai esperar então crescer e ficar mocinha

Mas então ai descobrirá
que não há mar na conchinha,
que não é elástica e nem mágica a televisão
que não tem gente minúscula
e o arco íris e suas cores
são gotículas, são partículas intocáveis...
mas tudo, tudo
ficará guardado em seu coração

Porque é assim exatamente assim que eu pensava!!! Ô doce infância...
Dani 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Assim como Você!

Desejar é continuo, é para sempre. A gente cresce querendo, desejando coisas, é o doce, a boneca, o sapato, o afago...coisas lindas, profundas, supérfluas ou não.
Minha sobrinha queria um par de asas e uma cauda de sereia e minha Pérola já desejou muitas coisas...ter o cabelo rosa, ser a Barbie,ter uma casa na árvore, mas hoje ela estava bem sentada no sofá com um livro na mão e calçada no meu salto.
"Tá brincando de quê?"
Daí ela:
"Quando eu crescer quero usar salto e ler livros, eu tô brincando de ser você."
São essas coisas lindas e sinceras que fazem a vida ganhar brilho e ter um baita sentido, não é?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Água Benta

   
Por Pérola
Adoro o mundo das crianças, elas saem com cada uma! Minha mãe muito católica havia me dado uma garrafa com água benta. Guardei, mas criança mexe aqui e ali e sempre encontra tudo. Pérola curiosa vem com o frasco.
"Mamãe, o que é isso"?
"Água benta".
"O que é água benta?"
"Bem, é quando o padre pede a Deus que aquela água se torne especial, abençoada".
"Ahnn...e Ele coloca um pouco do poder na garrafa é?"
"É, sim, deve ser."
Daí ela calada, com as idéias trabalhando no seu pequeno mundo, pegou uma folha e minhas canetas e ilustrou sua ideia assim como se vê ai do lado.
"Olha só mamãe"
Elogiei o desenho dela e ela me explicando disse: "Aqui é o poder, aqui é a água e aqui é o Amor que vem do poder dele, agora eu vou guardar isso bem guardado viu." Saiu com a garrafa e deixou o desenho em cima da mesa bem do meu lado. Ah...não pude resistir e postar esta história de açúcar né?
Achei lindo!!! Ela tem 6 anos e adora desenhar e imaginar.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Eu Quero!

   
Um rabisco apaixonado!!!
Quero uma viagem, tire férias, poucas coisas na mala e muitas coisas lindas no coração, sim, deixo fora as lembranças desnecessárias e tudo aquilo que me causou mágoa.
Quero repor minhas energias, recompor minha alegria, quero ser curada com as coisas simples como estar abraçada sem dizer nada, só viver o momento, pegar uma linda estrada, sentir o sol, o vento, ir a praia andar de mãos dadas, ver as crianças correrem livres e beijá-las com carinho e depois quando elas estiverem dormindo, ficar com você comer doces, beber alguma coisa...dar risada, conversar sobre tudo e sobre nada...morar de férias num lugar diferente, desligar, desplugar, ficar off das coisas chatas, rotineiras e cansativas, não precisa ser Bangkok ou Nova York, quero simplesmente poder encontrar um novo caminho de mim e voltar mais forte de verdade para a realidade. Féeeeeeriass!!!!
Dani.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Historicamente conversando...

Lá estava eu e a menina
Em tempo e idades diferentes
Mas com palavras convergentes.
Engraçado como o mundo se parece com uma
brincadeira de encaixe
onde somos peças aqui ou lá na frente
vamos ser iguais ou diferentes e 
com uma abertura de encaixe,
uma coisa em comum que nos faça sorrir, conversar
por quilômetros como se fossem por alguns momentos apenas e...
pronto! Já chegamos? Então é isso, bom te ver menina,
como você cresceu, hoje universitária,
Em comum? O mesmo curso que  eu,
ideais e filosofias nas pestanas frescas
que um dia vivi e sonhei enquanto lia os capítulos paleolíticos
e os cavaleiros medievais, o ouro, a prata e as guerras que travei e venci
e aí está você menina, travando as mesmas lutas
vivendo o sonho arqueológico e lógico,
escavando seu próprio tempo
assim como eu mesma fiz...
O carro parou na rua da universidade então...até mais, 
até outro dia, um outro momento
em que nos encontraremos na cronologia do nosso tempo
e discutindo um pouco mais.
Para minha ex-aluna Mary Tavares 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Trovão...uma doce explicação.


        Já imaginou um mundo paralelo ao nosso? Sempre?? Eu também sempre penso nele, um mundo mais divertido, com leves explicações sobre tudo, um mundo que um dia fizemos parte, é sim, este mesmo, quando éramos crianças. Gosto de ficar com meus ouvidos bem atentos, quando as crianças conversam, ah não me critique por ouvir atrás  da porta (haha), realmente vale a pena ouvir e lembrar quando tudo eram estórias de açúcar. Pois bem, era um sábado de sol fraco e nuvens cor de chumbo, as meninas brincavam, as três maricotas e então o "bum!" do trovão acabou a brincadeira lá fora, cada uma para casa e só uma ficou com a pergunta curiosa: "Mas o que é o trovão?" Para a tia e blá, blá, blá explicação; hum... "Mas mãe o que é o trovão?" e blá, blá, blá explicação... "Pai você sabe o que é o trovão?" e na última explicação do nosso velho mundo preto e branco ela contestou "Ahnn sei, mas a minha prima me disse que o trovão é quando os anjos lá no céu estão desentupindo alguma coisa lá em cima."
       Até hoje essa foi a melhor e mais doce versão de trovão que a gente já ouviu por aqui. :)
      

sábado, 4 de janeiro de 2014

Desenhos no céu e noite de serenata.

          
                 Nas noites de céu claro quando a energia faltava e eu ainda era criança, tinha uma coisa que sempre acontecia, era lei, meu pai logo pegava seu violão e corria para a calçada para tocar serenata. Aprendi a gostar das estrelas nesse tempo. Era engraçado como elas acendiam e se mostravam quando as luzes apagavam aqui em baixo e logo quando acendiam elas se escondiam, brincando com a gente. O céu inteiro parecia um vestido negro de diamantes cravados. As estrelas são pedacinhos pequenos e brilhantes e inalcançáveis que dá uma vontade louca de pegar, uma poeira brilhante e linda.
              Todo mundo saia pra brincar de infinitas brincadeiras ao som da doce serenata que nos embalava. Ninguém precisava dizer nada, mas era unanime que todo mundo queria mesmo é que a luz demorasse mais um pouquinho a chegar para aquele momento se esticar. Quando a correria nos cansou sentamos na calçada e nos perguntamos "E agora brincamos de que?" Meu pai sugeriu: "Já brincaram de desenhar no céu?" Todo mundo bobo. "E como é isso?" Ele disse: "De dia a gente desenha com as nuvens e de noite a gente junta as estrelas e forma o que quiser!" Foi fantástico! Desenhamos um monte de bichos diferentes e coisas diversas com aquelas poeirinhas brilhantes chamadas estrelas. Que tempo bom, meu Deus!
Saudades do meu pai.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Feita de Titanio.

 
      No reino onde se decidem os destinos de todos nós, o Rei chamou dois de seus procuraDORES e pediu para irem em busca de  alguém especial. Avisou que deveria ser simples, ter um bom coração e muito jovem também. As pessoas lá no antigo paraíso, precisavam ver milagres de vez em quando e ver exemplos de força. Os procuraDORES alados saíram a buscar. Do alto podia se ver muitas coisas, eles viam as pessoas e o que havia dentro delas também, afinal eles eram os procuraDORES do Rei. Havia insatisfação, inveja, mágoas, sonhos, tristezas, agradecimentos, pedidos, dores...e dores sem grandes motivos e misturado a tudo isso lá estava ELA a menina que o Rei pediu.
      Ela tinha longos cabelos, que amava, um sorriso franco, simples, com um grande coração... um lindo coração e jovem muito jovem.
Das muitas coisas difíceis que ela passou, perdeu seus cabelos e seu peso, para uma garota de dezessete...era difícil e a vida...ficou de equilibrista, por um fio, mas foi preciso viver assim mesmo, foi preciso brigar por ela, ou desistir quem sabe, mas para ela não, enquanto muitos desistiriam e chorariam com pena de si mesmos, ela apenas sorria inabalavelmente. Foi passando, foi sofrendo, foi vivendo e vencendo e venceu.
      Lá do alto os pombos procuraDORES perguntavam ao Rei:
- O Senhor nos explicaria porque
Ele disse:
- Depois dela e de toda prova que passou, quem se atreveria a chorar por tudo e por nada se a todo momento, mesmo conhecendo seu coração, ela sorria, deixando uma grande lição, mesmo sendo tão jovem, de como se vive e de como se deve crer e VIVER mesmo que para os outros fosse impossível. Ela é como o titânio leve e forte, brilhoso e resistente a corrosão.
 
Para você Thai. Guerreira de Titânio.

sábado, 30 de novembro de 2013

A Flor de Sonho


Um dia a menina encontrou uma flor única, linda e suave; onde ela morava só ela a possuía. 
-Que flor é essa? Perguntavam
 -É meu sonho. Ela é muito especial e rara por aqui. Ela dizia.
Quando ela passeava por outros lugares, os mais distantes, ela apresentava sua flor, por ser muito bonita e logo era apreciada. Nesses lugares as pessoas entendiam a beleza e a raridade da flor e perguntavam:
- De onde você vem?
Quando ela falava ninguém acreditava que ela pudesse ter surgido lá naqueles arredores tão distantes de tudo e como ainda sobrevivia. Mas algumas coisas raras são difíceis de manter.
A flor na sua real cor e verdadeira aparência.
Os dias se passavam e as dificuldades de alimentar e manter a flor de sonho naquele lugar eram tão grandes, as vezes quase impossíveis. A flor de sonho precisava de aplausos e de muitos olhos, multiplicados olhos, como os daquela menina. A flor de sonho dançava e tocava musicas muito diferentes para aquele lugar que era acostumado ao som do mesmo vento monótono de sempre. E para se multiplicar e espalhar sua viva cor naquele lugar cinza, realmente seria preciso muitos olhos, muitos aplausos, muitas pessoas para ouvir e vê-la e enxergar o que ela era na verdade e só a menina e poucos ainda enxergavam. Sabe, uma beleza rara muitas vezes é incompreendida, ou você a ama de verdade ou a despreza.
Só sei que um dia a menina sentou e falou algo muito bonito a seu "Sonho" sua flor de sonho:
"Olhe flor...mesmo quando um dia não houver mais tantos aplausos para a sua dança, para sua música você não morrerá porque restará eu e você e eu sempre te amarei e te aplaudirei"
A flor de sonho percebeu que não morreria, iria sobreviver para sempre nos sonhos daquela menina e isso, bem...isso bastava para as duas.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Para sempre...jovem!

               Sala de aula, dia de provas internas, uns trinta estudantes. Já estava cansada da leitura do romance "Um Dia", estava em uma daquelas páginas que dá sono, fechei o livro e pousei meu olhar naquele grupo de meninas no auge de suas  peles e sorrisos, sem preocupações maiores e porque não dizer longe das "preocupações chatas" como as minhas, quando me preocupo. Achei interessante o senso de humor de estarem com óculos de armação lilás e sem lentes, tirando fotos no celular [é engraçado que elas sempre brincam com esses óculos, como uma marca registrada, sempre trazem e brincam com eles] enquanto as provas não chegavam, todas com seus cabelos longos, ondulados, encaracolados, com pequenos adereços meigos no cabelo, prendendo a franja ou uma mecha...todas num pequeno círculo afobado olhando o resultado das fotos nos celulares [estão concluindo e por isso tem um ar de despedida da escola], talvez para guardar para o futuro, lembrança da sala de aula. Adorei ver, me senti na janela do tempo, me vendo com minhas amigas, tudo igualzinho...ops, exceto os celulares que na época a galera jovem não tinha, haha!
             Observei então como é espontânea a juventude, quando brincam com pequenos detalhes, inventam de tudo, correm, gritam no volume máximo, morrem de rir e...celulares, uma agonia com aqueles celulares, para ouvir música, mandar mensagem, facebook e...fotos em muitas poses com os amigos, para guardar e lembrar depois..."lindos e divertidos momentos".
Para minhas lindas estudantes observadas:
Raylla, Dayana, Rayane
e todo o 9º ano, nesta tarde agradável de 28 de maio de 2013.